Ciclovias novas na Zona Sul do Rio
Trechos em Ipanema e Leblon ampliam rede cicloviária, mas cruzamentos e estacionamento irregular ainda preocupam quem pedala diariamente.
Editorial
O Rota Urbana nasceu de uma constatação simples: quem depende de transporte coletivo, bicicleta ou aplicativo sabe antes de qualquer estudo o que funciona e o que trava. Prefeituras anunciam corredor de ônibus, ciclovia pintada ou integração metrô-ônibus; moradores medem o efeito real no tempo de deslocamento, no bolso e na sensação de segurança. Nosso trabalho é ouvir essas pessoas e cruzar relatos com dados públicos, atas de audiência e documentos de licitação.
Em junho de 2026, o debate sobre mobilidade urbana no Brasil atravessa várias frentes ao mesmo tempo. No Rio de Janeiro, novos trechos de ciclovia na Zona Sul reacenderam a discussão sobre prioridade modal e uso do espaço público. Em Curitiba, uma mudança na cobrança municipal sobre apps de transporte alterou tarifas e comportamento de motoristas parceiros. Salvador completou um mês de operação do corredor na Avenida Paralela, com ganhos claros para quem usa ônibus e atritos para o comércio de rua. Na Grande São Paulo, a promessa de integração tarifária entre metrô e ônibus voltou ao centro das atenções. Em Belo Horizonte, zonas de velocidade reduzida dividem quem defende segurança viária e quem teme desvio de trânsito para ruas residenciais.
Não tratamos mobilidade como tema técnico isolado. Uma faixa de ônibus muda o tempo de chegada ao trabalho de enfermeiros, caixas de supermercado e estudantes universitários. Uma ciclovia mal sinalizada afeta entregadores que pedalam oito horas por dia. Uma tarifa de app recalibrada pode significar a diferença entre aceitar ou recusar corrida no fim da noite. Por isso nossas reportagens visitam terminais, estações, ciclovias e bairros periféricos — não apenas salas de imprensa.
O jornalismo de mobilidade também precisa ser honesto sobre limites. Obra inaugurada não é obra consolidada: fiscalização, manutenção e diálogo com comunidades definem se o benefício se mantém. Dados de fluxo ajudam, mas números sem contexto escondem quem foi excluído do mapa — moradores de áreas sem calçada, usuários de cadeira de rodas, trabalhadores que não têm app nem cartão de crédito para pagar passagem integrada.
Nesta página você encontra as matérias mais recentes da nossa equipe. Fernanda Costa acompanha ciclovias e infraestrutura cicloviária no Sudeste. Lucas Mendes cobre regulação de apps e transporte por aplicativo no Sul. Beatriz Alves reporta transporte coletivo e obras no Nordeste. Publicamos em português brasileiro, com linguagem clara e foco local. Se você mora em uma cidade onde algo mudou na mobilidade — para melhor ou pior — escreva para [email protected]. Relatos de leitores orientam pautas futuras.
Convidamos você a ler as reportagens abaixo e acompanhar o Rota Urbana nas próximas semanas. Junho promete novidades em integração tarifária na região metropolitana de São Paulo e revisão das zonas de velocidade em Belo Horizonte. Continuaremos no terreno, porque é lá que a cidade se move de verdade.
Explore as matérias desta edição, navegue pelo arquivo em Matérias e, se quiser, escreva para nós. Cada relato de leitor já originou reportagem que mudou o foco de uma cobertura. Sua cidade também merece esse olhar.
Recentes
Trechos em Ipanema e Leblon ampliam rede cicloviária, mas cruzamentos e estacionamento irregular ainda preocupam quem pedala diariamente.
Nova taxa municipal alterou custos para motoristas parceiros. Passageiros relatam variação de preço e tempo de espera em bairros periféricos.
Faixa exclusiva na Avenida Paralela reduziu tempos de viagem no pico, mas comerciantes locais apontam queda de movimento nos finais de semana.
Estado e municípios retomam negociação sobre bilhete único metropolitano. Usuários pagam duas tarifas em trajetos que cruzam linhas e sistemas diferentes.
Prefeitura expande áreas com limite de 30 km/h próximo a escolas e hospitais. Moradores de ruas adjacentes relatam aumento de tráfego local.